As terapias florais, começando
pelo sistema inglês dos florais de Bach, talvez sejam a forma mais moderna de
alquimia disponível na área da saúde holística. Por definição, a alquimia é uma
antiga tradição espiritual, um sistema filosófico, místico e especulativo, e
uma ciência de interpretar e agir sobre a natureza de modo a desvendar e
interferir no processo natural das coisas, no objetivo, não só de alcançar o
conhecimento, como também o desenvolvimento da alma.
A
alquimia também pode ser definida como a arte da transformação: o trabalho do
alquimista, nesse sentido, é produzir mudanças sucessivas no material em que
trabalha, transformando-o de estado grosseiro e bruto, em forma perfeita e
purificada. O “material” tanto pode ser algo concreto e palpável, como algo
“imaterial” e abstrato, ou mais comumente, as duas coisas ao mesmo tempo.
Assim,
enquanto no âmbito físico, o alquimista – como historicamente se conheceu –
tentava transformar metais inferiores em ouro (o que envolvia operações
físico-químicas com equipamento de laboratório), análoga e sincronisticamente
no âmbito psíquico e espiritual, o “material inferior” trabalhado e o “ouro”
produzido podem ser também entendidos como o próprio homem em seu esforço para
aperfeiçoar sua natureza, e isso é válido especialmente para a prática da
alquimia moderna, realizada por exemplo, nas terapias naturalistas
contemporâneas, como as terapias florais ou a homeopatia.
Desse
modo, alquimia verdadeira é uma disciplina que envolve trabalho físico,
psicológico e espiritual. O desenvolvimento em um setor deve ser acompanhado de
uma evolução paralela no outro setor, e vice-versa. Se retirarmos do contexto
qualquer um desses elementos, a verdadeira integridade qualitativa da alquimia
é desvirtuada.
Nesse
contexto, em termos modernos, os florais de Bach e sua terapêutica de
autoconhecimento encaixam-se perfeitamente no conceito de alquimia, por
envolver um método de cura dialética nos terrenos físico, psíquico e
espiritual. Além disso, os florais de Bach se coadunam com a concepção da
Alquimia como um sistema conceptual que retoma valores que buscam, a partir da
natureza e suas leis, caminhos de maior harmonia para o homem.
Um
dos erros mais comuns entre muitos terapeutas florais é lidar com os remédios
do Dr. Bach, como se seus mecanismos de funcionamento fossem similares aos dos
remédios alopáticos, onde frente a um quadro sintomático (como por exemplo, uma
dor de cabeça ou de estômago) basta ao paciente fazer o uso “passivo” do
remédio apropriado segundo prescrição médica, esperando que ele (o remédio)
elimine o sintoma “doentio”, por sua contra própria.
A
maioria dos profissionais de saúde holística sabem que essa estratégia de
simplesmente erradicar um sintoma doentio – ainda que justificável em diversos
tipos de situações – sem eliminar-se as causas profundas da doença (muitas
vezes, causas psíquicas e espirituais), apenas permitem que o sintoma
“erradicado” se transforme em outra disfunção, talvez, ainda pior, indicando
que a cura verdadeira não foi alcançada, e que há algo a ser trabalhado num
nível mais latente.
Segundo
meu entendimento isso ocorre quando o terapeuta (floral) se limita, a fazer uma
prescrição equivocadamente sintomática dos remédios florais, que em realidade
não são medicações alopáticas (situação em que tal procedimento teria aplicação
efetiva), mas sim, são essências alquímicas, que abrangem componentes tanto
físicos, quanto mentais e espirituais, com ênfase nesse último.
As
essências florais não são, portanto, medicações alopáticas, mas sim, figuram
entre os métodos “sutis”, intuitivos e energéticos de cura, semelhantes à
homeopatia clássica de Samuel Hahnemann, à medicina antroposófica e à medicina
herbácea ou esparígica. Porém os florais de Bach, ainda, não podem ser
considerados homeopatia, e nem mesmo, fitoterapia. Como já foi dito, são uma
forma moderna de alquimia
terapêutica para a alma.
Para
o terapeuta Henrique Vieira Filho, as essências florais são compostos
energéticos (os princípios ativos não são químicos – como ocorreria na alopatia
– mas, sim eletromagnéticos) de proposta predominantemente preventiva, que
atuam através das questões emocionais. A terapeuta Magda Spalding Perez define
as essências florais como extratos líquidos sutis, geralmente ingeridos por via
oral, usados para tratar profundas questões do estado emocional, do
desenvolvimento da alma e da saúde do sistema corpo-mente.
Essas
essências foram descobertas pelo médico inglês Dr. Edward Bach, no início do
século XX. Bach foi bacharel em medicina, bacharel em cirurgia, diplomado em
saúde pública, além de bacteriologista e homeopata de sucesso. Antes de
tornar-se homeopata, Bach era um médico ortodoxo comum e trabalhava num grande
hospital de Londres. Atuou a princípio como bacteriologista, no início do
século XX, e foi muito criticado na época da sua conversão à homeopatia. Porém,
os sete nosódios de Bach, que ele apresentou, tornaram-se parte firmemente
estabelecida da matéria médica homeopática internacional, e prosperaram. Por
outro lado, como foi dito, o seu sistema de medicações florais, não pode ser
tecnicamente, no seu sentido exato, denominado como homeopático, embora Bach
sentisse ter um elo espiritual com Hipócrates, Paracelso e Hahnemann.
Assim,
em 1930, o Dr. Bach, que possuía 43 anos de idade, renunciou à sua clínica
lucrativa de Harley Street, para dedicar os últimos seis anos de sua vida à
busca de um método de tratamento mais simples e natural, que não “requeresse a
destruição nem a alteração de coisa alguma”. Como não gostava de ministrar
remédios comuns, Bach teve a intuição de que existiriam na natureza vários
remédios vibracionalmente semelhantes, os quais poderiam duplicar os efeitos
dos remédios homeopáticos. A partir daí, ele começou a procurar agentes
naturais que tivessem a capacidade de tratar, não a doença já estabelecida, mas
seus precursores emocionais.
Com
essa motivação, o Dr. Bach pesquisou e descobriu um sistema de tratamento com
remédios que não são alopáticos, nem homeopáticos, e nem fitoterápicos. A
melhor definição para os Florais de Bach, então, é a de considerá-los como uma
alquimia moderna, um sistema de tratamento que atua diretamente nos campos
físico, psicológico e espiritual. Os florais fornecem ferramentas de
intervenção, simultaneamente, nos três níveis de realidade.
Assim,
os florais, ou a medicina floral, formou-se como um sistema terapêutico baseado
na aplicação do poder sutil de diversas flores para corrigir desequilíbrios
físicos e/ou psíquicos. Sabe-se hoje que tal efeito é possível graças à
capacidade das essências das flores de penetrar profundamente no delicado
terreno vital do corpo humano e de interagir nas áreas anômalas, levando a elas
um poderoso substrato energético carregado de cargas vibratórias de alta
freqüência. Esse processo terapêutico é realizado através das essências
florais, principalmente por meio da terapia pela ingestão oral de remédios
florais.
Os
profissionais que se dedicam a esse tipo de tratamento consideram que as
essências florais não agem de modo “direto” sobre a doença, seja ela física ou
não, mas indiretamente, trabalhando primeiro nos sutis terrenos bioenergéticos.
Estas áreas onde agem tais remédios são as formas etéricas da energia cósmica
condensada no ser humano e responsáveis por toda a forma e condição do corpo
físico. Dependendo do entendimento de cada profissional, esse campo humano de
energia é denominado de corpo bioplasmático, campo morfogenético, aura, corpo
sutil, perispírito, ou energia Ki, além de outras denominações. Seja como for,
diz-se, muito apropriadamente, que qualquer doença, antes de se apresentar no
campo orgânico, já existia nesse campo energético vital, sob a forma de uma
turbulência que, aprioristicamente, é derivada de um excesso ou de uma carência
de modalidade típica de energia, num determinado setor da rede vital. Quando se
utiliza uma droga para um tratamento direto qualquer, atinge-se apenas os
efeitos periféricos do problema, permanecendo intacta – e às vezes piorada – a
entidade mórbida que gerou os sinais e/ou sintomas dos quais o paciente se
queixa.
O
tratamento indireto, não apenas através das terapias florais, mas também pela
homeopatia, pela acupuntura e pelas demais terapias ditas vitalistas (ou energéticas), como a cromoterapia, as técnicas de
cura por imposição de mãos (Cura Prânica, Reiki, etc), a cura psiônica
(radiestesia), entre outras, caracteriza-se pela capacidade de cura do próprio
organismo, por meio da ação lenta e constante de compostos curativos naturais e
pela restauração da distribuição energética ideal.
Depois
da transição (“morte”) de Bach, ocorrida em 1936, seus discípulos e muitos
terapeutas obtiveram sucesso no tratamento de padrões crônicos de perturbação
emocional e distúrbios de personalidade utilizando os remédios florais. Criou-se
o Centro de Cura Dr. Edward Bach, na Inglaterra, que continuou a preparar
essências florais de acordo com o sistema descoberto pelo médico. Em várias
escolas naturopáticas da Europa e Estados Unidos os remédios florais foram
usados de acordo com os critérios mentais e emocionais estabelecidos por Bach.
Edward
Bach foi um dos estudiosos que mais se dedicou ao conhecimento das essências
florais e a ele se deve o ressurgimento em maior escala das terapias florais,
sendo que o sistema mais conhecido e importante, hoje difundido pelo mundo
inteiro, recebe o nome de seu autor, os “Florais de Bach”.
Embora
tenham sido feitos vários tipos de experimentos utilizando diferentes flores
encontradas na natureza, somente na década de 70 uma série inteiramente nova de
essências florais curativas foi desenvolvida. Assim, em 1979, Richard Katz
fundou na Califórnia, Estados Unidos, a Sociedade de Essências Florais (SEF),
que proporcionou meios para que pesquisadores e terapeutas da área das
essências florais pudessem trocar informações a respeito do uso desses
remédios.
Depois
disso foram introduzidas diversas novas essências preparadas a partir de flores
nativas da América do Norte (especialmente da Califórnia, onde estava sediada a
SEF). Os pesquisadores da SEF publicaram dados a respeito dos diferentes
métodos de utilização dos remédios florais de Bach e das novas essências que
ficaram conhecidas como essências
californianas.
Com
o desenvolvimento dos Florais Californianos, surgiram estudos e,
posteriormente, remédios florais em diversas partes do mundo, sendo conhecidas
as essências do Alaska, as essências australianas, os florais portugueses, e no
Brasil, os Florais de Minas Gerais, os Florais da Amazônia e os novos Florais
da Mata Atlântica, bem como o particularíssimo sistema dos Florais Brasileiros
de Joel Aleixo, um pesquisador de alquimia.
Existem
disponíveis hoje, nas boas farmácias homeopáticas e de manipulação, centenas de
remédios florais, além dos 38 de Bach. No sistema Californiano, por exemplo, constam
103 essências (no início, conheciam-se 90 essências dos Florais da Califórnia).
Os Florais de Minas compõem-se de mais de 68 essências. Tudo isso, sem contar
com os novos remédios experimentais atualmente em estudo, em todos esses
sistemas, além de outras essências que vão sendo descobertas pelo restante do
mundo.
Isso
torna a medicina floral um sistema altamente complexo, onde são editados, cada
vez mais, grandes manuais e compêndios sobre as técnicas de terapias florais.
Isso implica, também, na criação de uma tecnologia de saúde holística,
com prognóstico bastante promissor. Essa tecnologia inicia-se com o esforço,
bem-sucedido de Bach, de elaborar uma forma de preparar as suas essências
florais vibracionais, sem ter que pulverizar a planta e potencializá-la segundo
o trabalhoso método homeopático de Hahnemann. As essências são preparadas a
partir de infusão solar das flores, no auge de sua floração, em recipientes com
água pura, num ambiente saudável e puro, posteriormente diluídas,
potencializadas e conservadas em conhaque. A água que contém as flores é a
receptora de uma espécie de impressão holográfica das qualidades essenciais da
planta. Assim, cada gota expressa a configuração completa arquetípica da
planta.
Isso
implica que a medicina floral não é matéria próxima da prática da medicina
clínica convencional, mas antes, ela se aproxima das formas de terapia
correlatas à psicoterapia ou às terapias de autoconhecimento, que compreendem o
ser humano de um ponto de vista arquetípico, holístico e integral, como a
psicologia junguiana. Aqui, entramos em outro aspecto importante do mecanismo
de ação da alquimia floral, ou seja, a sua ação psicológica de amplo alcance.
Bach
compreendeu que as doenças são causadas pela desarmonia entre a personalidade
física (denominada, na psicologia junguiana, de Ego) e o Eu Superior
(denominada de Self, na mesma teoria). Essa desarmonia entre a personalidade
física (Ego) e o Eu Superior (Self) reflete-se
em determinados tipos de peculiaridades mentais e atitudes presentes no
indivíduo. Em linguagem psicológica (junguiana) essa desarmonia é
compreendida como uma disfunção, ou melhor ainda, como uma cisão do eixo
Ego-Self, ou o elo de comunicação com o interior de nossa Alma. Com isso,
criamos uma separação, uma clivagem com o interior do nosso verdadeiro Eu.
Semelhante a Jung, Edward Bach considerava essa desarmonia, algo mais
importante de ser tratado do que a própria doença manifesta, física ou
psiquicamente, até porque esta última é resultante dessa mesma desarmonia, e ao
tratá-la, a doença automaticamente é eliminada.
Bach
foi um dos famosos médicos que perceberam a ligação doença-personalidade como
provocada por padrões energéticos disfuncionais nos corpos sutis. Ele percebeu
o relacionamento energético entre a mente e as qualidades magnéticas dos corpos
sutis superiores, onde as faculdades mentais e emocionais que se manifestam
através do cérebro e do sistema nervoso físico são produtos dos inputs energéticos provenientes dos
corpos etérico, astral e mental, e de corpos energético-espirituais ainda mais
sutis (superiores), como os corpos búdico, átmico, monádico e adi (formando um
total de sete corpos sutis, energéticos, ou espirituais, tais como os
conhecidos pela tradicional ciência esotérica da Teosofia). Graças à capacidade
das essências florais atuarem energeticamente sobre esses corpos superiores,
seus efeitos acabam atingindo a estrutura física mais densa, por ressonância
descendente entre esses corpos mais sutis e a estrutura energética condensada
do corpo material biológico.
Em
termos psicológicos, o indivíduo passa a gozar de mais harmonia interior
através do aumento no alinhamento da personalidade física (Ego) com as energias
psíquicas do Eu Superior (Self), o que redunda em maior paz de espírito e
expressão de alegria. Através da correção desses fatores emocionais os
pacientes são ajudados a aumentar a vitalidade física e mental, o que contribui
para a cura de qualquer doença física.
Bastante
adiantado para a época, Bach descobriu também a ligação entre o estresse e as
doenças, várias décadas antes que a maioria dos médicos contemporâneos
começasse a se dedicar a essa questão. Isso o aproximou da linha de raciocínio
que encontramos na psicossomática, e o distanciou da tendência da medicina
analítica de que querer “abafar” os sintomas das doenças com o uso de
medicações alopáticas. Isso reforçou a busca de Bach por recursos simples e
naturais, para fazer com que as pessoas retornassem a um nível de equilíbrio
harmonioso.
Como dissemos,
essa busca de uma cura na natureza – uma busca legitimamente semelhante à dos
alquimistas tradicionais – acabou levando Bach a descobrir as propriedades
curativas das essências florais, e inspirou a criação da ampla variedade de
sistemas florais de tratamento, presentes no mundo inteiro.
Referências Bibliográficas
FILHO, Henrique Vieira. Florais de Bach – uma visão mitológica,
etimológica e arquetípica. 6ª ed. São Paulo: Ed. Pensamento-Cultrix, 2013.
CAMPOS, Gelse M.; FREITAS, Arlete
F. Flores da Terra – Repertório de
Florais de todas as partes da Terra. 2ª ed. Ribeirão Preto: Tecmedd, 2004.
PEREZ, Magda Spalding. Alma das Flores. Pequeno dicionário de
essências florais. Sem informações de Editora e ano de publicação.